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17/4/2006
A TV digital e a Copa do Mundo
por
Eduardo Favaretto*
This article is available only in Portuguese language
A idéia de trabalhar com imagens vem desde os primórdios da
civilização, quando os homens começaram a desenhar nas cavernas para
ilustrar e guardar o que era vivido. Chegamos até as fotografias e
seguimos para o cinema que deu vida e movimento as cenas estáticas.
Por fim, nasce no século XX, a televisão que levaria as imagens para
dentro de nossas casas. Neste ano, em plena Copa do Mundo, o Brasil
se insere na era da televisão digital.
As emissoras de TV já utilizam o sistema digital para a produção e
armazenamento de informações, no entanto, a transmissão e a recepção
desses sinais pelos televisores brasileiros ainda permanece
analógico. Com mudança de padrão, as imagens e sons serão
digitalizados, possibilitando transmissão sem interferências, melhor
qualidade de imagem e som, maior variedade de canais (até 150 podem
ser recebidos), possibilidade de usar recursos interativos, como
fazer compras em supermercados, acessar contas bancárias, escolher o
ângulo de visão em partidas de futebol, acessar cenas de capítulos
anteriores etc. O aparelho de TV digital também pode ser utilizado
para mandar e receber e-mails e acessar a Internet.
No período de transição, as emissoras serão obrigadas por lei a
transmitir em digital e analógico. Há duas possibilidades de
assistir TV digital: comprar um novo aparelho de alta definição (HD-TV),
que diferentemente do SD (Standard Definition), além de
disponibilizar a tela no formato 16x9, já está preparado para alta
resolução de imagens e qualidade de som. Ou apenas aproveitar os
demais recursos, sem preocupar-se tanto com a resolução de imagens,
preservando seu aparelho de TV atual.
Ambos os tipos - analógico tradicional com tubo ou as inovadoras
telas finas formato 16x9 - exigirão um decodificador para ser
acoplado ao aparelho. Este acessório (set-top box) terá a função de
compatibilizar o padrão de transmissão (qualquer que seja escolhido)
aos padrões do circuito receptor instalado nos aparelhos. Quando
houver a definição do padrão a ser usando no Brasil, os aparelhos de
TV brasileiros já sairão de fábrica com este acessório embutido (se
você tem mais de 30, lembra que um dia usamos sintonizadores VHF e
UHF externos aos TVs - similarmente).
Após meses de discussão sobre novo sistema - japonês (ISDB), europeu
(DVB) ou americano (ATSC) - tudo indica que o presidente Lula
anunciará o padrão oriental. O ISDB, cujo tempo de implantação total
é de 10 anos, privilegia a alta definição e o maior equilíbrio entre
as transmissões fixas e móveis.
Mas para desfrutar de todas novidades, o brasileiro deverá prestar
atenção nas especificações técnicas de cada produto para não se
confundir na hora da compra da sua nova televisão: os aparelhos de
Plasma e LCD disponíveis no mercado hoje não são dotados de set-top
box. Ao contrário de que muitos pensam, não é a TV digital, são
apenas padrões de telas.
Embora pareçam iguais, o LCD não é Plasma. A principal diferença
entre as duas tecnologias está no quesito formação da imagem. Na
tela de LCD (Liquid Cristal Display), para a formação da imagem há
uma luz branca (backlight) e a luminosidade é filtrada pelos
cristais líquidos presentes na tela.
A resolução da tela varia de 1024x768 a 1920x1080 pixels, associada
a um baixo consumo de energia. A tela de LCD é mais usada atualmente
para dispositivos pequenos, como displays de celulares, equipamentos
de som para carros e monitores de computador (15, 17, 21 polegadas),
além dos aparelhos de TV (23, 34, 42 polegadas). Seu custo ainda é
proibitivo para tamanhos maiores, além de deixar rastros na tela
perceptíveis quando há trocas muito rápidas das imagens.
As telas de Plasma atingem dimensões maiores. Medem 37, 42, 50, 65
ou 71 polegadas (no mercado externo já foi apresentado exemplar de
103 polegadas) e a resolução de 852x480 a 1920x1080 pixels. Cada
pixel da imagem do aparelho de Plasma gera sua própria luz em
virtude de estar preenchido por uma mistura de gases no estado de
plasma. Seu custo teve uma redução acentuada nos últimos anos (um
modelo de 42 polegadas, no ano de 2003, custava cerca de R$ 30.000,
passando ao patamar de R$ 9.000,00 no início de 2006).
Estima-se que os aparelhos de LCD ou Plasma tenham vida útil de 60
mil horas, cerca de 20 anos de uso (8 horas por dia).

Apesar de muito aguardada, a implantação da TV digital no Brasil
ainda vai enfrentar problemas de ordem sociocultural: há cidades,
principalmente nas regiões do Norte e Nordeste do País que sequer
possuem aparelhos no sistema tradicional, dificultando e
comprometendo a penetração do novo padrão. Nesses localidades pois
não há antenas nem para captação do sinal de telefonia celular, que
dirá de um sistema de televisão tão inovador e avançado..
A grande jogada de marketing dos fabricantes de televisores com
estas novas tecnologias será relacionada à Copa do Mundo. Como é de
praxe, nesta época o brasileiro tende a adquirir novos equipamentos
eletroeletrônicos elevando consideravelmente as vendas do setor.
O mês de junho será o período-chave para conquistar novos
consumidores de TV digital. Espera-se justamente nesta época, quando
o Brasil pára para acompanhar a seleção brasileira, a veiculação das
primeiras transmissões em high definition.
Para euforia dos amantes do futebol, resta-nos torcer que o sucesso
da equipe canarinho, com a qualidade de seus jogos, seja compatível
com o alto padrão das imagens transmitidas.
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